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Temos ouvido muito falar em reciclagem, mas esse conceito algumas vezes é confundido. O uso de materiais sem reprocessamento para novas aplicações constitui-se em reutilização. A reciclagem é uma operação que envolve a transformação do material em matéria prima e a sua aplicação em novo produto, que utilize das qualidades da matéria prima original. Garrafas PET, por exemplo, são freqüentemente usadas como elementos decorativos após serem modificadas com cortes, dobras, pinturas, etc, embora continuem sendo garrafas PET. Portanto, dizemos que foram reutilizadas. Porém, quando as mesmas garrafas são moídas, refundidas, sopradas, areadas, soldadas, cortadas e embaladas para fabricação de outros objetos (como sacos de lixo, por exemplo), temos então um exemplo de reciclagem. Nem sempre se consegue que a aplicação do material reciclado seja tão nobre quanto a da sua primeira função, pois há materiais que podem ser reciclados na sua totalidade e outros que sofrem uma degradação durante o processo, como no exemplo acima. No caso de vidros e metais, na maioria das vezes, o produto reciclado pode ser obtido com a qualidade que se desejar, dependendo do particular modo de reciclar. Convencionalmente, do ponto de vista da reciclagem, os materiais podem ser divididos em cinco grandes categorias: Orgânicos, Papéis, Metais, Plásticos e Vidros. O que se pode obter de cada um deles, após um processo de reciclagem? Do lixo orgânico podemos obter vários produtos, como adubos agrícolas, produtos químicos por via fermentativa (álcoois, ácidos orgânicos, aminas, mercaptanas, apenas para citar os principais) para usos diversos, gás natural e outros combustíveis. Dos papéis, podemos obter diversos tipos de pastas mecânicas para a fabricação de cartões (revestidos ou não), papelão ondulado, etc. O tamanho da fibra define o uso final: quanto mais longa, mais nobre o uso. Pela adição de polpa de fibras longas na massa, recuperamos parcialmente a qualidade de uso nobre. Nos cartões revestidos, geralmente a folha de revestimento é papel sulfite, para permitir impressão de qualidade para embalagens. Os metais podem ser reciclados como metais mesmo. Há muito tempo já se recicla o ferro e o cobre, e mais recentemente outros metais vieram engrossar esse rol. A prata das aplicações de raios-X e das soluções de revelação de filmes fotográficos já é recuperada; as latas de alumínio são fundidas, laminadas e viram novos produtos; e latas de ferro e folha-de-flandres podem ter os seus revestimentos (estanho e zinco, respectivamente) removidos eletroliticamente para que o ferro seja refundido. Os plásticos, uma vez usados para embalar alimentos, não poderão mais retornar ao mesmo uso, devendo ser usados para fins menos nobres. Já surgiram aplicações onde são triturados, peletizados e usados para carga de concreto, tornando-o mais leve, ou transformados em fibras, depois em linhas e finalmente tecidos, ou, ainda, misturados intimamente com sílica finamente dividida e injetados em moldes, formando peças estruturadas como, por exemplo, pára-choques de veículos. Os vidros também apresentam um índice de reciclagem elevado, a ponto de se poder afirmar com total certeza que hoje nenhum fabricante do material utiliza somente composição pura, sendo comum até 40% de reciclagem em vidros de primeira linha. Existem alguns processos protegidos onde se realizam reciclagens com porcentagens ainda maiores. A economia de energia é a condição que empurra os fabricantes de vidro a investirem na pesquisa dos processos de reciclagem, pois a formação desse material é fortemente endotérmica. O vidro reciclado dispensa essa energia, absorvendo apenas aquela necessária para a fusão. Com o esgotamento cada vez mais próximo das fontes naturais de matérias-primas, é muito importante pesquisarmos, na reciclagem, novas fontes. Acredito que a quase totalidade dos resíduos produzidos pelo homem possa ser reciclada; depende muito de nós, químicos, tornar esta atividade econômica. |
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